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MTHFR e nutrição: o que você precisa saber

Entenda o que é a alteração do MTHFR e quais nutrientes merecem atenção. Veja os cuidados importantes na pré-concepção, gestação e ao longo da vida.

Por Flavia Lucas Oliveira, CRN 90376. 20 de agosto de 2026, leitura de 4 min.

Ilustração sobre MTHFR e nutrição, destacando a relação entre genética, metabolismo do folato, fertilidade, gestação e acompanhamento nutricional individualizado.

MTHFR e nutrição: quais cuidados são importantes para tentantes e gestantes?

Receber um resultado com uma variante no gene MTHFR costuma gerar muitas dúvidas, principalmente entre mulheres que estão tentando engravidar, passaram por uma perda gestacional ou já estão gestantes.

Mas ter uma variante de MTHFR não significa, por si só, ter uma doença ou uma trombofilia. O mais importante é entender como esse resultado se relaciona com o metabolismo do folato, a homocisteína, o estado nutricional e a história clínica de cada mulher.

O que é MTHFR?

MTHFR é a sigla da enzima metilenotetrahidrofolato redutase. Ela participa do metabolismo do folato (vitamina B9) e de processos relacionados à metilação e ao metabolismo da homocisteína.

Algumas variantes genéticas, especialmente C677T e A1298C, podem modificar a atividade dessa enzima em diferentes graus.

Isso não significa que todas as pessoas que apresentam essas variantes terão homocisteína elevada ou algum problema de saúde. Por isso, o resultado genético nunca deve ser interpretado isoladamente.

Por que isso merece atenção antes da gestação?

O período pré-concepcional exige disponibilidade adequada de folato e de outros nutrientes envolvidos no metabolismo de um carbono.

O folato participa da síntese de DNA, divisão celular e desenvolvimento embrionário, além de ser fundamental para a prevenção de defeitos do tubo neural.

Por isso, em uma tentante com variante de MTHFR, a avaliação nutricional pode incluir não apenas o resultado genético, mas também:

  • ingestão alimentar de folato;
  • suplementação utilizada;
  • vitamina B12;
  • vitamina B6;
  • homocisteína;
  • estado nutricional e demais exames;
  • histórico obstétrico e clínico.

A estratégia deve ser individualizada. Não é simplesmente encontrar uma variante no exame e aumentar indiscriminadamente a dose de folato.

E durante a gestação?

Na gestação, a necessidade de diversos micronutrientes aumenta e o metabolismo materno passa por grandes adaptações.

Folato, vitamina B12, B6 e outros nutrientes participam de processos importantes para a formação e o desenvolvimento fetal. Por isso, a suplementação deve considerar exames, alimentação, histórico da gestante e os demais suplementos que ela já utiliza.

Também é importante evitar dois extremos: deficiência e suplementação excessiva sem indicação.

Ter MTHFR não significa automaticamente que uma gestação será de alto risco ou que haverá complicações. Da mesma forma, variantes comuns de MTHFR, isoladamente, não são consideradas trombofilias hereditárias pelas principais diretrizes.

Quando existem perdas gestacionais recorrentes ou complicações obstétricas, a investigação precisa ser muito mais ampla e conduzida pela equipe médica.

MTHFR significa que não posso usar ácido fólico?

Esse é um dos maiores mitos relacionados ao tema.

Pessoas com variantes comuns de MTHFR continuam sendo capazes de metabolizar ácido fólico, e a presença da variante, isoladamente, não é motivo para excluir automaticamente essa forma de suplementação.

Existem diferentes formas de folato disponíveis e a escolha pode ser individualizada pelo profissional que acompanha a paciente. O mais importante é garantir adequação de folato sem criar excessos ou sobreposição de suplementos.

E a homocisteína?

A homocisteína ajuda a trazer uma informação funcional que o resultado genético sozinho não fornece.

Se estiver elevada, é necessário investigar o contexto. Folato, B12 e B6 participam do seu metabolismo, mas alimentação, função renal, medicamentos, estilo de vida e outras condições também podem influenciar seus níveis.

Por isso, novamente, não se trata de tratar um gene, mas de avaliar a pessoa.

O cuidado termina depois da gravidez?

Não.

MTHFR faz parte de uma via metabólica que continua funcionando durante toda a vida. Entretanto, isso não significa que uma pessoa com uma variante genética precise viver tomando doses elevadas de vitaminas.

No longo prazo, faz mais sentido acompanhar a qualidade da alimentação, adequação de vitaminas do complexo B e homocisteína quando houver indicação clínica, além dos demais fatores relacionados à saúde cardiovascular e metabólica.

A genética não muda, mas a expressão clínica e o estado nutricional podem ser muito diferentes de uma pessoa para outra.

O que realmente importa?

Se você descobriu uma variante de MTHFR durante uma investigação de fertilidade, após uma perda ou durante a gestação, o resultado deve ser colocado dentro de um contexto.

Mais importante do que olhar apenas para o nome da variante é avaliar como está o seu organismo naquele momento, quais nutrientes precisam de atenção e se existem outros fatores clínicos envolvidos.

Na pré-concepção e na gestação, uma estratégia nutricional individualizada permite organizar alimentação, exames e suplementação de acordo com a necessidade de cada mulher — sem excessos e sem transformar um resultado genético isolado em um diagnóstico.

Está tentando engravidar, está gestante ou descobriu uma variante de MTHFR durante sua investigação? O acompanhamento nutricional pode ajudar a avaliar seus exames e construir uma estratégia individualizada para esse momento.

Esse assunto tem a ver com o seu momento?

Cada caso pede uma conversa própria. Se quiser entender como o acompanhamento funcionaria para você, me chame.